2° Dia - Trilhas em Jacobina: Cachoeiras Maria Fernandes, Pinhacó e Véu de Noiva

E o início do segundo dia de aventuras em Jacobina já amanhece com um clima super agradável, com uma brisa suave e algumas nuvens amenizando os raios do sol que prometia chegar escaldando com tudo mais tarde.
Após ter pedalado 110km no dia anterior, só subindo, subindo e subindo mais ladeiras, você acorda pensando:  o segundo dia será mais ligtht, de boa, pois afinal de contas está todo mundo quebradinho, né? Kkkk, ledo engano. No MURAL a brocação é UM DIA SIM E NO OUTRO DIA TAMBÉM.
Sendo assim, Rogério, Julinho e mais dois integrantes do JACOBINA BIKE já estavam a postos, nos aguardando terminar o café da manhã na pousada, pra dar início à aventura.  Sem muito “mimimi”, após um resumo do que iríamos enfrentar, partimos seguindo pelo asfalto em direção à entrada da cidade para tirar uma foto na placa com o nome da cidade e registrar nossa presença nessa linda região.
Seguimos por uma estrada de barro que permeava a rodovia, onde encontramos a entrada para a ESTRADA REAL, que, pra quem não sabe, foi a primeira via aberta oficialmente pela Coroa Portuguesa para escoar a produção de ouro e diamante até o porto de Paraty, no Rio de Janeiro. Pois bem. Depois de tiradas algumas fotos, voltamos a dar início ao percurso, passando por uma pinguela “cabulosa”, que só Jean, Kichute e Rogério tiveram coragem de atravessar pedalando.
Cruzamos a pista de asfalto para adentrar em uma trilha de barro que já dava indícios do que iríamos enfrentar. A “brincadeira” começou. Deparamo-nos com uma subida interminável, que alguns, claro, como “euzinha” aqui, pagaram em algumas prestações. Não só pela sua extensão, mas também pelo terreno cheio de folhas que escondiam as pedras, galhos e raízes que dificultavam ainda mais a subida. Depois de muito subir, chegamos ao topo da floresta, onde Rogério, nos parabenizando pelo nosso esforço, só falava: “Rapaz, vocês são brutas demais!!”. Mas, mas é claro, Muralete que se preze tem que ser assim mesmo: só na brutalidade (kkkkkkk).
Como tudo na vida: o que sobe, desce; perguntei logo : “Quando vamos começar a descer?”. De pronto, Rogério e Julinho falaram em coro: “É agora”. Oxe, largamos o freio em um single irado, fechado, cheio de curvas que nos lembrou alguns trechos da nossa querida Sapiranga. No final da descida, chegamos a um vale lindo, onde avistamos, quase que despercebida, uma cachoeira super charmosa: a Maria Fernandes. Sua queda d’água era bem fininha e escorria suavemente pelo seu paredão de pedra. Um chame. Como de costume: pausa para refrescar a nuca e mais fotos.
Da mesma forma: tudo que desce, sobe (kkkkk); depois de uma descida em meio ao vale, o que vem logo em seguida? Tchã, Tchã, Tchã, Tchã? Começamos a subir o morro por uma trilha estreita e bastante íngreme. Chegou a um ponto em que não tinha mais como pedalar, porque a mata tomava conta de um lado e do outro era um despenhadeiro bizarro. As pedras e cascalhos tornaram o percurso mais perigoso ainda e não restou outra alternativa senão empurrar a bike. Mas valeu a pena demais, pois só assim, empurrando e parando, pudemos contemplar a beleza da paisagem lá de cima, com seus vastos e verdes morros e a Maria Fernandes mais ao fundo. Muito lindo mesmo.
Chegando no topo da montanha, retomamos o fôlego e começamos a pensar na descida. Iradaaaaaaa. Um downhill insano, de mata fechada, onde muitas vezes tínhamos que nos esgueirar por entre os galhos para não capotar. Bem do jeito que o MURAL gosta. Valeu todo o esforço da subida. Subiria toda a serra de novo só pra descer mais uma vez aquele downhill. Descemos em alta, brocando tudo que víamos pela frente. Resultado: alguns compraram alguns terrenos. KKKKK . Dando nome aos bois: Will, no seu afã de conquistar o terreno, comprou vários lotes, um “mega” latifundiário da região. Eu também não deixei por menos e comprei um terreninho, depois de me esbarrar em uma “bendita” árvore no meio do caminho.
No final dessa descida perfeita, chegamos no fundo de uma fazenda, onde uma mulher, que provavelmente era a “caseira” começou a gritar, dizendo que era proibido passar por ali. Mas, em alta do jeito que estávamos, não foi possível dar muita atenção e a coitada ficou a ver poeira.
Alçamos, enfim, o estradão que nos levaria a próxima cachoeira. Antes disso, fizemos uma parada providencial em um barzinho na beira da estrada para tomar uma coca cola e uma água bem geladas. O que seria um breve descanso se tornou um encontro maravilhoso. A dona do barzinho, uma senhora super simpática e atenciosa nos brindou com um cafezinho com leite, biscoito de maisena e “mil folhas”. Uma cortesia preparada com bastante carinho para os muralistas e bikers de Jacobina. Como se não bastasse tamanha simpatia, lá conhecemos o famoso “Cherré”, neto da dona do barzinho. Uma figura e super descolado. Ligado no movimento, o guri pegou a sua bike e saiu de lá pedalando com a gente, todo empolgado.
De lá, seguimos rumo a cachoeira de Pinhacó, pelos estradões e suas subidas infindáveis. Nessa hora o sol já estava escaldante e queimando a moleira. Já não via a hora de tomar um banho bem gelado. E Cherré, minha gente? Achávamos que seria só pura empolgação e que ele iria voltar na próxima ladeira, mas quem disse? Cherré nos fez companhia por todo resto do trajeto, brocando um monte de marmanjo em sua bike pesada, de chinelo, sem freio e sem reclamar de cansaço hora nenhuma. Impressionante o vigor e disposição desse garoto.
Chegando na cachoeira Pinhacó, tomamos aquele banho revigorante em suas águas geladas. Mais outra beleza natural da região de Jacobina. Momento de contemplação. Pousamos pra fotos com a bandeira do grupo e relaxamos um pouquinho. Merecido.
Energias restauradas, partimos para Itaitu onde já tínhamos almoçado no dia anterior, para desfrutar mais uma vez da culinária local. Macarrão, carne de sol, pirão, feijão tropeiro e outros quitutes caprichosamente preparados para os aventureiros. Após, forrar o estômago, ainda nos aguardava a “cereja do bolo”: a incrível cachoeira “Véu da Noiva”. Mas, para chegar lá, apesar de pertinho da cidade, tínhamos que subir uma extensa ladeira de paralelepípedo, em que o desafio era brocar totalmente, sem colocar o pé no chão. Desafio lançado, todo mundo, salvo engano, conseguiu zerar a ladeira. Mesmo alguns poucos, assim como eu, se arrastando. Não podíamos fazer feio, né? (kkkkk). E Cherré dando um show de bike. Subindo e descendo tudo em alta, só freando com o próprio chinelo. Dava gosto de ver esse menino, viu?
Chegando lá em cima, viramos para descer um single de lenhar, rumo à cachoeira. Cheio de degraus, raízes de árvores e pedras, que tornavam o circuito mais técnico e desafiador. Brocamos tudo, como sempre. No final, guardamos as bikes por entre as pedras, já     que o acesso era bastante difícil pra carregá-las nas costas e escalamos as pedras para apreciar a queda d’água da Véu da Noiva. Lindíssima. Com suas águas escorrendo pelo paredão branco, lembra realmente um véu de noiva. Lá, se encontravam algumas pessoas fazendo rapel. Eu e Mara pensamos até em nos aventurar nessa descida, mas por conta do horário avançado e distância que ainda tínhamos que pedalar, tivemos que deixar pra uma próxima oportunidade. 
Após mais um deslumbramento dos encantos de Jacobina e região, ainda tínhamos que retornar pelo mesmo lugar que brocamos na descida. Tudo que é bom dura pouco (kkkk). Os degraus e raízes que pulamos na descida, agora tínhamos que atravessá-los empurrando a bike. Nossa aí cansei viu? Mas, logo em seguida, depois de subir e subir, descemos, insanos, a ladeira de paralelepípedos e pegamos de novo o estradão de terra. Alguns quilômetros mais a frente, passamos novamente pelo barzinho da avó de Cherré. Pousamos para foto e nos despedimos, com um gostinho de saudade. Ficamos encantados por esse garoto. Menino humilde, simples, mas de uma simpatia e vontade de superar os desafios incríveis, apesar de todas as dificuldades. Prometemos voltar com uma bike nova, capacete e uniforme para presentear esse futuro jovem atleta. E assim foi feito com a ajuda do Grupo Jacobina Bike.
Por fim, continuamos o caminho pelo mesmo estradão do dia anterior. Muito chão ainda pela frente, com muita poeira e costela de vaca. Esperávamos alcançar o asfalto ainda de dia e assim conseguimos. Depois de uns 7km de asfalto, chegamos à Jacobina, no finalzinho de tarde, para dar tempo de relaxar um pouco os músculos e preparar pra balançar o esqueleto no HARMONIA DO SAMBA que tocava na cidade. Afinal de contas, nem tudo é brocação, mas também e sempre, muita diversão!  
Assim terminou mais uma aventura do MURAL. Agradecemos a Julinho, Rogério e toda a turma de Jacobina pelo carinho, atenção e receptividade maravilhosa. Tudo foi muito show e vamos ficar com gostinho de “quero mais”, pois Jacobina guarda ainda muitas aventuras e desafios a serem revelados e desbravados. Valeu galera. Até a próxima. BORA MURAL. Carla Dias.
CLIQUE NAS IMAGENS PARA AMPLIAR






































































































































3 comentários:

Iane Sabrina disse...

Eiitaaa que me fez inveja. Excelente resenha, Dias! Suas palavras conseguiram descrever minuciosamente como foi essa incrível aventura. O Mural sempre nos proporcionando belíssimas trilhas em lugares maravilhosos. Parabéns a esse garoto e ao grupo por ter o recebido tão bem. Juntos seremos mais fortes. BORA MURAL!!

Plech disse...

Parabéns Julinho e Rogério, pela bela trilha! Cada lugar mais bonito que o outro. E pela resenha de Carla, muita brocação também.
Bela resenha Carlinha!!!
BMMP

Marayza ribeiro disse...

Foi top essa trilha, lugar lindo!!! Valeu por mais essa aventura Mural!!! 👏 👏 🚴🚴🔝🔝