1º Dia - Volta do Recôncavo (Santo Amaro - Cachoeira)

Vamos começar este relato antes mesmo da viagem iniciar. Já na véspera, nem todos os sete incautos bike-aventureiros (Elson, Ricardo Lima, Ricardo Pacheco, Reinaldo, Luciano Coquinha, Lucas e Fred) conseguiram dormir. Ansiedade? Adrenalina?, seja o que for, a vontade de pedalar já estava presente.
Encontro no Farol da Barra, dentro do horário previsto, 5:30 da matina. A van já nos aguardava. Acomodamos as bikes no reboque. A arrumação não ficou ideal, mas como queríamos partir logo, ignoramos a vulnerabilidade de nossos bens mais chegados.
Já nos primeiros quilômetros da BR 324 o juízo falou mais alto e paramos preocupados. Tentamos várias formações das sete bikes no reboque e, depois de muita dor de cabeça, resolvemos colocar 4 delas dentro da van, diminuindo nosso conforto (pouco importa em relação ao das magrelas). As outras três seguiram atrás, sob o olhar vigilante de nosso caçula Lucas.
Chegamos em Santo Amaro por volta das 8:00. Desembarcamos as bikes, nos equipamos e fomos atrás de uma lanchonete para reforçarmos as energias. Baurus, sucos e a velha e sagrada coca-cola (vamos batalhar um patrocínio) finalizaram nossa estada nesta cidade.
Partimos por volta das 9:00. O sol já mostrava para que tinha vindo. Nestas horas sentimos na pele o que quer dizer aquecimento global.Protetor solar é um item tão obrigatório quanto a bike nestas pedaladas. O buraco de ozônio parecia estar sobre nossas cabeças. Eu (Fred) pensei até em levar um guarda sol, até que cabia na bagagem...rsrs. Sobre esta última, deixo para os outros que continuarão o relato descrevê-la. Adianto porém que me reservo o direito de resposta. As fotos comprovarão que nem era tanto assim...rsrsr.
Numa decisão democrática (uma marca, não só desta expedição, mas deste grupo, parabéns a todos!) resolvemos eliminar Saubara e seguimos direto para Cachoeira. Excetos para os “brocadores”- Elson, Coquinha e Rei (anti doping e psico-teste nestes doidos), que se arriscavam aqui e ali em umas trilhinhas off Road, a maioria do percurso deste primeiro dia foi asfalto.
Asfalto nem sempre quer dizer moleza. Muitas subidas e descidas a 50 / 60 km faziam desta primeira etapa um tira-gosto do que estava por vir. Paramos para a velha cervejinha na estrada, desobedecendo a Lei seca. A hidratação com água não era suficiente para um sol tão inclemente. Além das geladas, as pastilhas de sais que o velho Elson tinha levado foram de grande ajuda.
Uma surpresa na estrada. Seguíamos viagem quando um jovem nos parou na estrada. Para nosso espanto ele foi logo perguntando se era a expedição do recôncavo que viu na net. Se tratava de Hélio, um jovem ciclista de Cachoeira que nos encontrou depois na pousada para pedalar até Muritiba. Infelizmente, devido a problemas com o barco popopó (relatado mais adiante), nos desencontramos e a pedalada com um local não foi possível.
A chegada em Cachoeira nos reservou ainda uma descida a 66,4 km com muitas curvas. Pisamos nesta cidade impregnados de adrenalina. Um grupo de sete ciclistas pedalando com a mesma camisa, bagagens, equipamentos, etc., já chama muita atenção (recebemos durante toda viagem buzinas incentivadoras dos carros e transeuntes que passavam), imaginem só estes loucos descendo a ladeira ultrapassando todos os carros e chegando comemorando à cidade!!! Sem comentários, só vivendo para saber.
Fomos recebidos pela imprensa local... Explicações: uma estudante de jornalismo da UFRB que estava no coreto onde paramos, se interessou pelo grupo tão inusitado e tratou logo de defender uma reportagem para alguma disciplina nos entrevistando. A mídia não ficou por aí, outras alunas, agora do curso de fotografia do Senac, quiseram também nos fotografar. Turistas estrangeiros em visita a Cachoeira se aproximaram para saber o que era aquele grupo e terminavam também tirando fotos para recordações. O Mural de Salvador para o mundo!
Almoçamos uma moqueca de camarão que o óleo de dendê restante dava para abastecer uma usina de biocombustíveis. Tudo bem, depois deste pedal o fígado devia estar desintoxicado. Tomamos banho de mangueira, disponibilizado por uma moradora vizinha do restaurante. A solidariedade que encontramos no interior durante todo o trajeto, sempre nos fez questionar sobre a selva que tem se tornado a cidade grande.
Devidamente refestelados rumamos para a Pousada Paraguassú, uma grata surpresa em todos os sentidos. Instalações agradáveis, atendimento 10 e precinho em conta. Instalados, logo saímos para um passeio de barco pelo rio até Coqueiros. Um grande abraço, Fred.
Agora a resenha é com Ricardinho!!!
Antes de continuar a narrativa gostaria de discorrer um pouco sobre o grupo dessa aventura, pois daí advém o sucesso da aventura. Comecemos pelo fato do conjunto ser altamente heterogêneo, o que ajudou em minha opinião, e quando digo isso me refiro a todos os aspectos, bastava olhar a bagagem, rsrsrsrs..., é Fred, não deixaria de comentar isso por nada, rapaz, o cara conseguiu colocar numa bicicleta o que dificilmente se levaria num carro e argumentava que trouxera tamanha bagagem porque se tratava de um cara preparado, precavido e acima de tudo higiênico, usar a mesma roupa 3 dias!!!, nem pensar, ficar sem fazer a barba!!!, muito menos. Voltando a narrativa, chegamos a pousada Paraguassú depois de todo assédio da imprensa (vide foto) e como foi bem colocado por Fred, uma grata surpresa, entramos logo com as bikes para nos acomodar e arrumar as bagagens. Depois de alguns minutos de descanso era hora de inaugurarmos a camisa da Volta do Recôncavo e fazermos um passeio de barco pelo rio Paraguaçu. Já era umas quatro da tarde quando chegou na pousada o Hélio, aquele rapaz que havíamos encontrado na estrada, todo paramentado e com a bike preparada chamando a galera para conhecer as trilhas locais, mas já havíamos combinado o passeio de barco até Coqueiros então seguimos ao barco pópópó e deixamos a trilha para uma outra ocasião. Chegando ao barco havia uma molecada pertubada em volta do barco jogando água e pedindo de tudo, Coquinha já tava pra virado com as perautices dos moleques quando nosso ilustre Psicólogo utilizando-se de toda sua experiência internacional exclamou a respeito das pequenas criaturas: VOU CENTA A PORRA NESSES MOLEQUES VEM CÁ FILADAPUTA!!!. Ai seguimos pelo rio Paraguassúy olhando belíssimas paisagens e muitos pontos históricos, até ai tudo bem exceto pela vagareza que o barco andava que até então não era um incomodo. Chegamos a Coqueiros, é um lugar muito bonito, fica no encontro do Rio Paraguassú com o mar, e pra quem gosta de uma moqueca é perfeito, apesar que a essa altura não estávamos mais com fome e não queríamos ver a cara de azeite então pedimos uma rodada de água de côco, que foi chegando a prestação La no bar do Renato. Nossa ida a Coqueiros tinha uma missão e o Renato seria nosso contato para conseguirmos um barco que permitiria atravessarmos para a outra margem quando chegássemos a São Roque do Paraguassú. O problema era identificar em qual idioma o tal do Renato estava falando, se era bêbedês ou Orubá, meu amigo o cana brava perdia feio ali, e olha que esse Renato era dono de um complexo turístico completo (tinha barco, restaurante e tava construindo uma pousada). Enfim depois de muito esforço conseguimos a informação que queríamos e era hora de regressar pois já estava escurecendo. La vai nós no pó pó pó quando derrepente BHÁMM!!!!, quase cai todo mundo pra frente, e depois outro tranco e o motor parou, no meio do rio, a noite, que dureza!!!. O pópópó nada de pegar, a galera, claro, todo mundo aventureiro, ficou relax, conforme as fotos podem demonstrar, hahahaha. E mexe de lá mexe de cá finalmente o “capitão” da embarcação descobre que havia passado por uma rede de pesca e tirou com algum esforço da hélice para prosseguirmos a Cachoeira.
Chegamos em Cachoeira mais tarde do que imaginávamos e fomos direto procurar um lugar pra comer, rodamos vários lugares e acabamos escolhendo um restaurante no local mais movimentado. A galera ainda tava bem relax afinal o pior (ou melhor) ainda estava por vir, começamos a pedir a comilança e nos preparávamos para voltar pro hotel mas era impossível não se falar do Bahia naquele momento. Os nossos amigos Ricardo Lima e Rei, torcedores fieis do Bahia, estavam procurando um lugar para assistir o jogo e ai descobrimos que o principal lugar para isso era no “PAULÃO”, não sabíamos onde era, mas torcedor do Bahia num momento desses vocês já sabem, o barraco é visto de longe, seguimos os gritos “ VAI BAÊAAA!!!, BAÊAA MINHA PÔRRAAA!!!!!, e outras coisas que não cabem. Quando saímos em direção a orla, tava lá o PAULÃO, bandeira do Bahia enorme aglomeração, gente bonita, han han, bom na verdade saímos adiantando o passo pra não comprometer nossa integridade física e financeira, atravessando a ponte pra São Félix e derrepente outro bar com transmissão do jogo do Bahia, era um local alto, primeiro andar, e no meio da confusão que borbulhava de lá de cima ouvimos um grito “QUEM FÔ VITÓRIA É MELHO DECÊ!!!!!”, depois desse aviso nem torcendo pro Bahia dava pra subir ali. Seguimos para o hotel para descansar afinal não sabíamos o que nos esperava no dia seguinte.... Valeu! Ricardo Pacheco.
VEJA OS VÍDEOS ABAIXO
Bagagem de Fred e Grande Descida
Chegada em Cachoeira
Travessia da Ponte
Passeio de Barco no Rio Paraguassu
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